Gastronomia

A farinha de Morro Alto, em Bocaiúva, tão famosa que até ganhou imitação

Feita do jeito antigo, com a goma preservada na massa, a farinha de mandioca da comunidade de Morro Alto ganhou tanta fama que virou alvo de imitação. Agora os agricultores se juntam em cooperativa para cuidar do próprio nome.

A farinha de Morro Alto, em Bocaiúva, tão famosa que até ganhou imitação

Vá a uma banca de farinha no Mercado Municipal de Montes Claros e pergunte de onde vem a melhor. A resposta tem grande chance de ser uma só: Morro Alto.

Foi isso que um técnico do Sebrae contou ao jornal O Norte lá em 2009, meio rindo, meio preocupado. "Você vai ao Mercado Municipal de Montes Claros, por exemplo, comprar farinha e todos dizem que é do Morro Alto, mas quem garante?", disse Armírio Duque de Oliveira Neto. A fama era tanta que tinha gente misturando farinha de outros lugares e vendendo com o nome da comunidade.

Uma comunidade, uma farinha

Morro Alto é uma comunidade rural de Bocaiúva, no Norte de Minas. Ali, segundo reportagem publicada pelo Portal Grande Norte em julho de 2026, agricultores familiares fazem farinha de mandioca de forma artesanal há mais de 150 anos.

O segredo, conta a mesma reportagem, está num detalhe do modo de fazer. A farinha de Morro Alto preserva a goma na massa. É isso que dá o sabor, a textura e a identidade que o povo reconhece de longe.

Quem cresceu no Norte de Minas sabe o que uma farinha boa faz. Ela vai no feijão, vira farofa de ovo, acompanha carne de sol, engrossa pirão e, na mão de criança, some direto do pote. Uma farinha que tem nome e endereço é coisa séria por aqui.

Um selo contra a imitação

Em 2009, o Sebrae, a Prefeitura de Bocaiúva e a Emater-MG anunciaram a criação de um selo de identificação para a farinha da comunidade, informou O Norte. A ideia era proteger os produtores e dar ao consumidor a certeza da procedência.

Na época, o secretário de Indústria e Comércio, Paulo Murta, foi além. "Morro Alto é um belo exemplo de que temos condições para produzir a melhor farinha de mandioca do Brasil", disse ao jornal.

Dez anos depois, em 2019, o site RSena, de Bocaiúva, noticiou que a farinha produzida em Morro Alto tinha o selo de qualidade do Sebrae desde 2009. O mesmo texto contou que o Iepha, instituto estadual de patrimônio, faria uma catalogação da farinha de mandioca em Minas, mapeando também moinhos de milho e casas de farinha, com a ideia de valorizar a culinária mineira e ajudar a evitar falsificações.

A cooperativa entra em cena

Hoje, quem cuida da tradição de forma organizada é a Cooperativa dos Agricultores Familiares de Morro Alto, a Coopfama. Em julho de 2026, a Prefeitura de Bocaiúva, o Sebrae e a Emater-MG começaram um trabalho de qualificação com a cooperativa, segundo o Portal Grande Norte.

As capacitações passam por gestão, finanças, marketing, vendas e liderança. "O objetivo é aumentar o faturamento dos produtores, organizar o controle financeiro da cooperativa e ampliar os mercados para a Farinha Morro Alto, que já é muito conhecida na região", disse Diego Guimarães, analista técnico do Sebrae.

A reportagem descreve a Coopfama como responsável por preservar "uma das maiores tradições gastronômicas do Norte de Minas". E lembra que a atividade movimenta a economia local e garante renda para diversas famílias do distrito.

O que fica na boca

Tem produto que viaja pelo nome. A farinha de Morro Alto viajou pela boca de quem provou e contou para o vizinho, até chegar às bancas do mercado da cidade grande com fama de primeira.

Na próxima vez que alguém disser que a farinha é de Morro Alto, vale perguntar pela cooperativa. É a melhor forma de garantir que a goma, o cuidado e a história de mais de 150 anos contada pelo Portal Grande Norte estão mesmo ali dentro do saco.

Foto: @coopfama_ma / Instagram

Fontes