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Darcy Ribeiro, o menino de Montes Claros que segurava a mão de quem aprendia a escrever

No dia 26 de outubro, o educador que planejou a UnB e criou os CIEPs faria 104 anos. E a história dele começa ao lado de uma professora de alfabetização do Norte de Minas: a mãe.

Darcy Ribeiro, o menino de Montes Claros que segurava a mão de quem aprendia a escrever

No dia 26 de outubro, o educador que planejou a UnB e criou os CIEPs faria 104 anos. E a história dele começa ao lado de uma professora de alfabetização do Norte de Minas: a mãe.


Quando ainda era menino, em Montes Claros, Darcy Ribeiro tinha uma tarefa que ele nunca esqueceu. A mãe, dona Fininha, era professora de alfabetização. E o filho ajudava os alunos recém-chegados: segurava a mão deles junto com o lápis, para o traço sair firme e a letra começar a aparecer.

A lembrança é do próprio Darcy, contada na autobiografia Confissões, de 1997.

Você sabia que um dos maiores defensores da escola pública do Brasil aprendeu o valor de ensinar dentro de casa, aqui no Norte de Minas?

Darcy nasceu em Montes Claros em 26 de outubro de 1922, filho de Reginaldo Ribeiro dos Santos e Josefina Augusta da Silveira, a Fininha. Perdeu o pai aos 3 anos e foi criado pela mãe. Estudou no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal, ali mesmo na cidade.

O caminho teve curva, e das boas. Darcy começou Medicina, foi reprovado três anos seguidos e resolveu mudar de rumo. Foi para as Ciências Sociais e se formou em 1946 pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Quem diria que aquelas reprovações iam abrir a porta para tanta coisa.

E foi muita coisa, viu? Darcy criou o Museu do Índio, aberto em 1953, e colaborou na criação do Parque Indígena do Xingu. Ao lado de Anísio Teixeira, defendeu a escola pública na Lei de Diretrizes e Bases. Planejou a Universidade de Brasília e foi o primeiro reitor dela. Foi ministro da Educação e, depois de 1964, viveu o exílio.

Como vice-governador do Rio de Janeiro, implantou os CIEPs, com a meta de chegar a 500 escolas. Pôs 200 salas de aula dentro do Sambódromo, para o lugar do Carnaval funcionar também como escola. Como senador, foi autor da LDB de 1996, a Lei 9.394, que o país conhece como Lei Darcy Ribeiro. Escreveu O Povo Brasileiro, de 1995, e ocupou a cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras.

Darcy Ribeiro, autor da Lei de Diretrizes e Bases de 1996. Foto: Agência Senado (CC BY 3.0)

Em uma frase lembrada por quem estuda a obra dele, Darcy chamou a escola pública de a maior invenção do mundo. Dá para entender de onde vinha tanta certeza. Ele cresceu vendo a mãe ensinar gente a ler.

E Montes Claros seguiu no caminho dele. Segundo a Revista Médica de Minas Gerais, Darcy esteve entre os que ajudaram Hermes de Paula a tirar do papel a Faculdade de Medicina do Norte de Minas, que hoje faz parte da Unimontes.

Darcy morreu em Brasília, em 17 de fevereiro de 1997. No centenário, em 2022, a Unimontes dedicou a ele um dossiê na revista Educação, Escola & Sociedade e um livro pela Editora Unimontes.

O legado que fica com a gente

Toda vez que uma criança senta numa carteira de escola pública e segura o lápis pela primeira vez, tem um pouco daquele menino ali do lado. Darcy saiu de Montes Claros para planejar universidade, escrever lei e sonhar escola para todo mundo, e levou junto a lição aprendida na sala de dona Fininha. Neste 26 de outubro, quando ele faria 104 anos, o Norte de Minas pode encher o peito: o homem que ajudou o Brasil a pensar a educação aprendeu a ensinar aqui.

Foto de capa: Darcy Ribeiro discursa na inauguração da UnB, em 1962. Foto: Arquivo Central da UnB / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)


Fontes