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Fundação Sara: o amor de um pai e uma mãe que virou abrigo para crianças com câncer

Da campanha para salvar a pequena Sara nasceu, em 1998, uma casa de acolhimento em Montes Claros. Hoje a fundação constrói o primeiro hospital de câncer infantojuvenil do Norte de Minas.

Fundação Sara: o amor de um pai e uma mãe que virou abrigo para crianças com câncer

Da campanha para salvar a pequena Sara nasceu, em 1998, uma casa de acolhimento em Montes Claros. Hoje a fundação constrói o primeiro hospital de câncer infantojuvenil do Norte de Minas.


Entre 1996 e 1997, amigos e colegas de uma família de Montes Claros se juntaram numa campanha com um nome que dizia tudo: "Ajude a Salvar a Vida da Sara". A menina tinha leucemia, e o dinheiro era para pagar um transplante.

Sara partiu em 22 de novembro de 1997. E foi aí que os pais, Álvaro Gaspar Costa e Marlene Cavalcanti Albuquerque Costa, fizeram uma escolha que mudou a história de muita gente. Pegaram o que sobrou da campanha e transformaram em começo. Em junho de 1998, nascia a Fundação Sara Albuquerque Costa.

Você sabia que a fundação cuida da criança e de quem está do lado dela? Crianças e adolescentes com câncer e seus acompanhantes recebem hospedagem, alimentação, transporte até os hospitais e atendimento de uma equipe multiprofissional. A fundação também custeia exames e remédios que o SUS não cobre, trabalha pelo diagnóstico precoce e ajuda a melhorar os centros de tratamento.

A casa foi crescendo devagarinho, do jeito mineiro. Em 2007 veio a nova sede em Montes Claros. Em 2008, o programa de diagnóstico precoce e a humanização da enfermaria do Hospital Dilson Godinho. Em 2010, a unidade de Belo Horizonte e a contratação da primeira médica oncopediatra do Norte de Minas. Em 2013, a fundação fez a Festa dos Curados. Em 2018 e em 2020, foi eleita uma das Melhores ONGs do Brasil.

Álvaro Gaspar Costa e Marlene, fundadores da Fundação Sara, recebem o prêmio Melhores ONGs em 2018. Foto: Fundação Sara / Divulgação

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, mais de 1.700 crianças e adolescentes já foram amparados desde a criação. Em Montes Claros, segundo a instituição, eram 306 assistidos cadastrados e 160 ativos em novembro de 2025. Nas barraquinhas de aniversário da fundação, cerca de 200 voluntários põem a mão na massa.

E tem um sonho grande saindo do chão. Em 2019, a fundação assinou com a Santa Casa de Montes Claros o contrato de construção e gestão do Hospital de Câncer Sara Albuquerque. Em março de 2026, o Estado repassou R$ 12 milhões para a obra. Segundo a instituição, a primeira fase, da estrutura, já foi concluída. Depois vêm acabamento, mobiliário e equipamentos.

Por que isso importa tanto? Álvaro explicou com uma frase que aperta o coração: "É como se a chance da criança dependesse do CEP dela, de onde ela mora". Segundo ele, o índice de cura no Norte de Minas fica entre 50% e 56%, enquanto nos centros de excelência chega a 80%.

Marlene, a mãe, também seguiu um caminho bonito. Formou-se em Serviço Social e, em 2024, assinou como fundadora um artigo acadêmico sobre a história da fundação, publicado numa revista da Unimontes.

O legado que fica com a gente

Sara viveu pouco, mas o nome dela acompanha hoje cada criança que chega para se tratar longe de casa e encontra cama, comida e colo. Álvaro e Marlene transformaram a dor em porta aberta. E quando o hospital ficar pronto, o Norte de Minas vai ter mais perto de casa aquilo que muita família precisou buscar longe. Esse cuidado é da Sara, e é de todos nós.

Foto de capa: Fachada da unidade da Fundação Sara em Belo Horizonte. Foto: Fundação Sara / Divulgação


Fontes