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Instituto Terra: a fazenda de infância de Sebastião Salgado que voltou a ser floresta

Em Aimorés, no Vale do Rio Doce, Lélia Wanick e Sebastião Salgado pegaram uma terra degradada e plantaram milhões de árvores nativas. O instituto que eles criaram em 1998 segue cuidando da Mata Atlântica e de quem vive dela.

Instituto Terra: a fazenda de infância de Sebastião Salgado que voltou a ser floresta

Em Aimorés, no Vale do Rio Doce, Lélia Wanick e Sebastião Salgado pegaram uma terra degradada e plantaram milhões de árvores nativas. O instituto que eles criaram em 1998 segue cuidando da Mata Atlântica e de quem vive dela.


No dia 23 de maio de 2025, um enorme laço preto apareceu pendurado na entrada do Instituto Terra, em Aimorés. Naquele dia, em Paris, tinha morrido Sebastião Salgado, aos 81 anos. A floresta que ele ajudou a plantar ficou de luto.

Sérgio Rangel, diretor do instituto, disse que Salgado, de onde estivesse, ia "estar aplaudindo", ou "puxando nosso pé se achar que estamos errando". É um jeito bem mineiro de lembrar alguém.

Essa história começa numa fazenda. A Fazenda Bulcão, em Aimorés, foi onde o fotógrafo passou a infância. Com o tempo, aquela terra ficou degradada. Em 1998, Sebastião e a esposa, Lélia Deluiz Wanick Salgado, fundaram ali o Instituto Terra, com uma ideia ousada: fazer a Mata Atlântica voltar.

Sebastião Salgado, em 2016. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Você sabia que a ideia deu certo? Segundo a instituição, mais de 3,6 milhões de árvores nativas já foram plantadas desde a fundação. Só em 2025, ainda segundo o relatório anual do instituto, 2.346,96 hectares receberam mais de 250 mil mudas, e a sobrevivência das mudas na RPPN Fazenda Bulcão chegou a 91,12%, um recorde.

E tem mais coisa brotando. Segundo a instituição, o viveiro já tinha mais de 450 mil mudas de 131 espécies em 2025, 196 nascentes estavam em recuperação e 127 biodigestores tinham sido instalados. Em 2025, segundo o G1, o diretor Sérgio Rangel falava em mais de 1,5 mil nascentes revitalizadas e 150 empregos diretos.

E o cuidado chega também nas pessoas. Segundo o relatório do instituto, 255 famílias foram beneficiadas pelo programa Terra Doce em 2025. E 782 crianças participaram do programa Terrinhas, 42% a mais que no ano anterior. As doações chegaram a R$ 10,6 milhões, com auditoria da Grant Thornton.

Hoje o conselho do instituto é presidido pelo filho, Juliano Salgado. E no relatório lançado em junho de 2026, o instituto anunciou um novo viveiro, para até 2 milhões de mudas por ano, com o nome de Viveiro Sebastião Salgado.

A gente aqui do Orgulho Mineiro fala muito do Norte, e com razão. Mas Minas é grande, e o Vale do Rio Doce também tem história para encher o peito. Essa é uma delas.

O legado que fica com a gente

Sebastião e Lélia deixaram floresta onde havia terra cansada, nascentes revitalizadas e centenas de crianças crescendo perto disso tudo. Sebastião partiu, e as árvores ficaram. E cada muda que cresce em Aimorés lembra a quem passa que Minas sabe cuidar da própria terra quando alguém resolve começar.

Foto de capa: Lago e mata dentro do Instituto Terra, em Aimorés. Foto: Antonio Carlos Lima Barbosa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)


Fontes