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Mestra Dalva e a blusa gorutubana

Em Janaúba, Mestra Dalva guarda no algodão a identidade gorutubana.

Mestra Dalva e a blusa gorutubana

7 de setembro de 2026

Em Janaúba, no Norte de Minas, mora um povo com nome de rio. Gorutuba. Às margens dessa água se misturaram influências indígenas, africanas, rurais e do catolicismo popular. Isso aparece na comida, na festa, na música, no jeito de vestir. E tem um pano que carrega tudo isso no colo, na manga, no peito: a blusa gorutubana.

Ela é de algodão, com renda e bordado à mão. A máquina só fecha as laterais. O resto é tempo, e o jeito de um povo. Símbolo da identidade local. Em Janaúba há uma geração de guardiões dessa memória: artesãos, músicos, educadores, pesquisadores, produtores culturais. A Prefeitura já reconheceu várias dessas iniciativas em editais de culturas populares e oferece cursos gratuitos ligados a esse saber.

Quem segura essa costura hoje, com o nome que o Fundo Estadual de Cultura escolheu, é Dalva Luiz Fernandes da Silva. Mestra Dalva. O projeto dela se chama Mestra Dalva, A Guardiã da Blusa Gorutubana. Guardiã, aqui, é ofício do dia. O saber da blusa é coletivo. Mora em várias mãos. Dalva é uma delas.

Em 2025 o Fundo contemplou o projeto no edital Saberes Gerais, na categoria de artes visuais e design de moda. Nota 95,5, entre trinta contempladas. Prêmio de trajetória.

Fica a mulher, o pano, o povo. Uma mulher de Janaúba guardando no algodão a identidade gorutubana. A blusa segue no mundo porque ainda tem mão para fazê-la.

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