Gastronomia

Taiobeiras, a cidade que tem uma folha no nome e um pequi na festa

No Norte de Minas, a taioba virou bolinho, charuto e chips, e a comunidade de Lagoa Grande comemora há 31 anos a colheita do pequi. Uma volta pela mesa taiobeirense.

Taiobeiras, a cidade que tem uma folha no nome e um pequi na festa

Tem cidade que guarda a história no nome. Taiobeiras é uma delas.

Quem lembrou disso foi Edineia Rodrigues, dona do D'Gust Restaurante, quando contou à Agência Sebrae como preparou o prato dela para o primeiro festival gastronômico da cidade. As consultorias, disse, ajudaram na escolha dos ingredientes, "como a taioba, planta que deu origem ao nome da cidade".

A taioba é aquela folha grande, verde-escura, de quintal mineiro, que vai refogada no alho e acompanha arroz e feijão. Em Taiobeiras, ela saiu do quintal e foi parar no centro da mesa.

O primeiro festival da cidade

Foi em janeiro de 2026, nos dias 16 e 17, no Parque de Eventos João Cocá, bairro Belo Monte. A entrada era gratuita e a festa começava às 19h. O tema era "Sabores que Encantam", e a organização ficou com a Prefeitura e o Sebrae Minas, segundo a Agência Sebrae e a agenda oficial da Prefeitura.

Nove bares e restaurantes participaram, todos preparados pelo programa Prepara Gastronomia. E a taioba apareceu de vários jeitos.

O D'Gust fez a Taiobinha, bolinho artesanal com a raiz da taioba, recheado com linguiça caseira. O Café Al Amir juntou Minas e Oriente Médio num Charuto das Gerais, enrolado na folha de taioba, com carne temperada, arroz e coalhada seca libanesa. O Deck Lounge serviu um Risoto Ouro das Gerais, de pequi com filé-mignon, finalizado com chips crocantes de taioba.

Teve pequi em outras panelas também. O Avenida Grill montou uma chapa com farofa de pequi, e o Restaurante Sabor da Casa fez um carreteiro de costela com pequi e couve crocante. Para fechar, a Cafeteria Ponto Final apresentou pão de queijo recheado com doce de leite e requeijão de corte, servido com café gelado.

A chef e a costelinha

A aula-show ficou com a chef Fernanda Fonseca, que preparou arroz de taioba com costelinha desfiada. "A proposta do festival é valorizar os ingredientes regionais, resgatando saberes da culinária mineira", disse ela à Agência Sebrae, citando a taioba, o pequi, o café e o queijo minas como símbolos da região.

O analista do Sebrae Minas Albertino Correia contou que a cidade, de economia forte, "precisava de um evento gastronômico para dar visibilidade e oportunidade aos empreendedores do setor".

Lagoa Grande e o pequi

Se em janeiro a estrela foi a taioba, em março quem manda é o pequi.

A Festa do Pequi acontece todo ano na comunidade de Lagoa Grande, em Taiobeiras. A Prefeitura descreve a festa como uma celebração da colheita e do que o fruto traz de renda para a comunidade. A edição de 2026 comemorou 31 anos e foi de 6 a 8 de março, de acordo com a Prefeitura e o Jornal Panorama.

A programação é a cara do sertão. Tem apresentação cultural, passeio ecociclístico, cavalgada e o famoso concurso de roedor de pequi, aquele em que ganha quem rói o caroço com mais jeito. No domingo, o Panorama registrou a Trilha do Pequi e a Cavalgada, com almoço ao meio-dia.

A festa é organizada pela Prefeitura, com apoio da Emater-MG e da Associação de Moradores de Lagoa Grande, segundo o jornal.

Uma mesa com sotaque próprio

Juntando as duas festas, dá para entender o jeito taiobeirense de comer. A folha que batizou a cidade, o pequi que sustenta o calendário, o requeijão, o café e a criatividade de quem ainda brinca de misturar Minas com outros cantos do mundo.

Para quem quer conhecer, março é mês de pequi em Lagoa Grande. E vale ficar de olho na Prefeitura e no Sebrae para saber se o festival gastronômico ganha segunda edição em 2027.

Foto: D'Gust Restaurante / divulgação (via O Norte)

Fontes